Câmara de Caruaru realiza audiência pública sobre direitos das mães e crianças atípicas

Publicidade
Publicidade

Encontro reuniu famílias, especialistas e poder público para debater falta de cuidadores, ampliação de serviços e desafios da inclusão

A Câmara Municipal de Caruaru promoveu, nesta quarta-feira (11), uma audiência pública intitulada “Mães Atípicas”, voltada ao debate sobre os desafios enfrentados por famílias de crianças neurodivergentes no município. O momento foi proposto pelo vereador Gil Bobinho (PSB) e reuniu representantes do Executivo, entidades da sociedade civil, profissionais da área e, principalmente, mães que vivenciam diariamente as dificuldades relacionadas ao acesso a direitos e serviços públicos.

A mesa de honra foi composta pelo presidente da Casa, Bruno Lambreta (PSDB); pelo vereador propositor, Gil Bobinho; pelo secretário de Educação e Esportes, Kaio Colaço; pela gerente do Núcleo TEA da Secretaria de Saúde, Janaína Valéria; e por Louisiane Delgado, presidente do grupo Mães em Ação. Também estiveram presentes representantes de setores ligados à assistência social e à defesa dos direitos da criança e do adolescente do município, como também o vereador Delegado Lessa (Republicanos).

Ao abrir a audiência, o vereador Gil Bobinho reforçou sua trajetória de atuação na defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes e destacou que o encontro nasceu das inúmeras demandas que chegam ao seu gabinete.

Entre os principais problemas apontados, ele citou a falta de cuidadores nas escolas, o que, segundo o parlamentar, tem impedido muitas crianças atípicas de frequentarem a sala de aula.

“Temos crianças que não estão indo para a escola porque não têm cuidador. Isso é um direito que não está sendo assegurado”, afirmou. Ele complementou que, enquanto o poder público não cumpre essa garantia, está violando a legislação brasileira.

Gil Bobinho destacou ainda que o público presente na audiência deve ser tratado como prioridade absoluta e reafirmou seu papel de fiscalizar e cobrar soluções efetivas. “A luta de vocês é nobre”, concluiu.

Seu colega parlamentar, vereador Delegado Lessa, também fez uso da palavra. Dentre as questões destacadas por Lessa, estão a necessidade de empatia com as mães, que sofrem ainda com rótulos sociais, bem como o reconhecimento e legitimidade das suas reivindicações em favor dos seus filhos.

Representando o movimento social, a presidente do grupo Mães em Ação, Louisiane Delgado, trouxe um relato contundente sobre a realidade vivida em Caruaru. Ela informou que o município possui atualmente cerca de 4.600 crianças com laudo médico, número que tende a crescer com novos diagnósticos. Segundo Louisiane, apesar de avanços pontuais, a cidade ainda enfrenta uma situação considerada “gritante”.

“Estamos cansadas de fazer reivindicações e nada acontecer. Queremos ação”, desabafou. Além disso, ela questionou a aplicação dos recursos públicos destinados à área e destacou que, durante a pandemia, havia mais materiais de apoio adaptados do que atualmente.

Avanços e desafios no setor público

A gerente do Núcleo TEA da Secretaria de Saúde, Janaína Valéria, apresentou números sobre a ampliação dos atendimentos no município. De acordo com ela, em um ano, a média de atendimentos semanais saltou de cerca de 300 para aproximadamente 900, incluindo terapias e acompanhamento médico especializado.

Janaína destacou a contratação de novos profissionais, como psiquiatra e neuropediatras, o que permitiu alcançar cerca de 620 atendimentos neurológicos mensais. Também anunciou que há planejamento para a criação de uma nova unidade de atendimento, visando acompanhar o crescimento da demanda.

Ela explicou que ainda existem dificuldades burocráticas, como a escassez de profissionais qualificados em algumas áreas, citando o exemplo recente da dificuldade para contratação de terapeutas ocupacionais, mas garantiu que o município trabalha para suprir essas lacunas com responsabilidade técnica.

O secretário de Educação e Esportes, Kaio Colaço, defendeu as ações desenvolvidas pela gestão municipal e afirmou que Caruaru é referência regional em políticas voltadas às crianças neurodivergentes.

Segundo ele, cidades vizinhas têm buscado replicar experiências implementadas no município, como os centros especializados. Kaio também explicou que o concurso realizado para profissionais de apoio gerou desafios, já que muitos servidores solicitam transferência de unidade após a posse, o que interfere na rotina das crianças, ressaltando que há entraves administrativos que fogem do controle imediato da gestão.

“Sabemos que não conseguimos sanar todas as angústias, mas há profissionais comprometidos trabalhando para melhorar continuamente os serviços”, assegurou o secretário.

Vozes da comunidade

O momento também abriu espaço para a participação popular. Jéssica Helen, mãe atípica, relatou a dificuldade enfrentada por famílias quando os filhos completam 17 anos e perdem acesso a terapias que lhes eram asseguradas até então. Ela compartilhou sua experiência pessoal, destacando os desafios de cuidar sozinha de uma filha atípica, e propôs a apresentação de um requerimento para ampliar a oferta de materiais pedagógicos adaptados nas escolas.

Já Larissa Rayane, mãe de duas crianças atípicas, ressaltou a importância de cobrar do poder público, mas também com compreensão sobre os desafios existentes dentro da administração pública.

O conselheiro tutelar Nivaldo Júnior também fez uso da tribuna e trouxe o relato da vivência de sua irmã, que tem um filho atípico e o leva para a escola de ônibus com o cartão estudantil, mas precisa retornar a pé para casa. Ele parabenizou o secretário Kaio Colaço pelo “olhar diferenciado”, mas reforçou que ainda existem muitas questões que precisam ser enfrentadas.

A complexidade do tema foi debatida de forma ampla, contemplando diversas outras questões relacionadas a essa pauta sensível e urgente. A reunião está disponível na íntegra no nosso canal no YouTube, e mais informações podem ser acompanhadas pelos demais canais oficiais da Câmara.

Publicidade