Caruaru e Garanhuns recebem novo ciclo do Programa Pernambuco Artesão, que prevê investimento total de R$ 1,5 milhão

Publicidade
Publicidade
Fotos: Mateus Bernardo/Adepe
Iniciativa do Sebrae com o Governo de Pernambuco, através da Adepe, deve contemplar até 700 artesãos em todo o Estado

O Programa Pernambuco Artesão anuncia um novo ciclo de atividades que se iniciará nestes primeiros dias de abril e se estende até agosto. A iniciativa prevê, para este ano, investimento superior a R$ 1,5 milhão e atuação em todas as regiões do Estado, com expectativa de contemplar até 700 artesãos. No Agreste, as ações serão realizadas em Caruaru e Garanhuns. A novidade desta edição é a inclusão dos municípios de Carpina e Sirinhaém, na Zona da Mata, e do Arquipélago de Fernando de Noronha.

Com seminários, oficinas formativas, consultorias e palestras, o Pernambuco Artesão é resultado de um convênio entre o Sebrae/PE e o Governo do Estado – através da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).

Seu objetivo central é contribuir para o fortalecimento da cadeia produtiva do artesanato enquanto segmento de desenvolvimento econômico, por meio de ações de qualificação, inovação, sustentabilidade, governança e acesso a mercado. No primeiro ciclo, realizado em 2025, a iniciativa abrangeu cerca de 900 artesãos nos sete territórios pernambucanos pelos quais passou. Além dos novos territórios – Carpina, Sirinhaém e Fernando de Noronha -, o programa voltará ao Recife e a Caruaru, Garanhuns, Serra Talhada, Araripina e Petrolina. 

Podem participar artesãos dessas localidades e também de municípios circunvizinhos, sendo necessário ter a Carteira Nacional do Artesão válida ou CNPJ ligado a atividade artesanal. É tudo gratuito e as inscrições são pelo link:https://www.sympla.com.br/evento/programa-pernambuco-artesao/3318180.

Há atividades abertas a todos os inscritos e outras com vagas limitadas, como é o caso das “Jornadas Criativas para Design e Aperfeiçoamento de Produto”, uma metodologia que utiliza o design como estratégia para desenvolver e aprimorar produtos, agregando mais valor. Todas as informações estão disponíveis no site do Instituto Rio Moda.

EXPERIÊNCIAS NO AGRESTE

Quem já participou do Pernambuco Artesão destaca as mudanças positivas promovidas pelo programa. Bisneta do Mestre Vitalino, Katiea Vitallino, que cresceu no Alto do Moura, em Caruaru, diz que a iniciativa fortaleceu sua identidade artística, ampliando a visão de mercado e a valorização do trabalho autoral, a partir de um legado tradicional com o barro. “O Pernambuco Artesão me fez redescobrir como artista e enxergar ainda mais valor no meu trabalho e na minha história”.

Flávio Monteiro, de Garanhuns, inicialmente focado em peças utilitárias em madeira, conta que seu trabalho passou por uma transformação decisiva após a participação no programa no ano passado. A partir da Jornada Criativa, ele migrou para a moda autoral, explorando novas possibilidades estéticas e de mercado. Hoje, vive exclusivamente do artesanato, trabalha com a família e participa de eventos e feiras dentro e fora do Estado, com perspectivas internacionais. “O Pernambuco Artesão foi uma virada de chave na minha vida. Mudou completamente meu trabalho, minha renda e abriu portas que eu nunca imaginei alcançar”, pontua.

AGENDA

No dia 7 de abril, o programa chegará a Caruaru, no Armazém da Criatividade, e no dia 8, a Garanhuns, na sede do Sebrae, ambas às 8h, contemplando o Agreste. 

Nessas datas, será realizado o seminário de abertura “Artesanato: Tradição, Inovação e Mercado”, uma atividade aberta a todos os inscritos e ministrada por Roberto Meireles, diretor do Instituto Rio Moda e da Associação Brasileira dos Profissionais de Moda (ABPModa), organização responsável pela execução técnica das atividades de qualificação do Pernambuco Artesão.

CALENDÁRIO DE ATIVIDADES

Depois do seminário de abertura, o Pernambuco Artesão continua, em cada território, um calendário de atividades, incluindo oficinas e consultorias com vagas limitadas. São elas: “Jornadas Criativas para Design e Aperfeiçoamento de Produto” (20 vagas); “Planejamento e Gestão Financeira” (40 vagas); “Marketing e Vendas” (40 vagas); “Embalagem, Rotulagem e Catálogo Online” (20 vagas) e “Economia Circular” (palestra online, aberta a todos os inscritos).

As atividades contribuem para a criação de novas peças e produtos e para o melhoramento do que já fazem, quando os artesãos participantes são provocados pelos designers consultores. Paralelamente, o programa também atua na qualificação dos artesãos para a gestão de seus negócios, ao trazer informações especializadas sobre planejamento e gestão financeira, marketing e vendas, e ainda consultoria em embalagem, rotulagem e catálogo online.

“Muitos artesãos dominam a técnica, mas precisam de apoio para transformar esse saber em estratégia de mercado. As atividades foram pensadas para ajudá-los a desenvolver novos produtos ou aprimorar aquilo que já produzem, fortalecendo a competitividade sem perder a essência”, afirma a gestora estadual de Economia Criativa do Sebrae/PE, Verônica Ribeiro.

O programa prevê, ainda, ações de acesso a mercados, com a participação de artesãos selecionados em três feiras nacionais e em uma missão empresarial, ampliando oportunidades de negócios.

“Enquanto Governo do Estado, nós temos a grande e honrosa tarefa de valorizar e impulsionar o talento que nasce das mãos da nossa gente, transformando herança cultural em oportunidade de negócio. Com o programa Pernambuco Artesão, preservamos legados oferecendo as ferramentas necessárias para que artesãs e artesãos possam agregar valor à sua produção, garantindo e ampliando suas rendas”, ressaltou Roberta Andrade, diretora-presidente interina da Adepe.

ESTUDO

As ações do novo ciclo do Programa Pernambuco Artesão são orientadas pelos dados do “Estudo da Cadeia Produtiva do Artesanato de Pernambuco”, realizado pelo Laboratório O Imaginário (UFPE) entre 2023 e 2025, por encomenda da Adepe, que executa o Programa do Artesanato de Pernambuco (Pape). O levantamento identificou desafios, como dificuldades de acesso a mercados e fragilidades na formação de preços, e as potencialidades específicas em cada território.

“O Pernambuco Artesão nasceu da nossa observação sobre o setor, mas neste ano ressurge, digamos, customizado aos anseios dos artesãos, porque esse novo ciclo foi construído de acordo com a escuta dedicada e abrangente que fizemos, na edição passada, para o ‘Estudo da Cadeia Produtiva do Artesanato de Pernambuco’. Era o diagnóstico que precisávamos para, enquanto poder público, contribuirmos de forma eficaz com as necessidades do setor”, fala Camila Bandeira, diretora-geral de Promoção da Economia Criativa da Adepe.

A partir desse diagnóstico, o programa foi redesenhado para garantir intervenções mais estratégicas, conectadas às vocações locais e às demandas reais do setor. Atualmente, mais de 17 mil artesãos pernambucanos estão cadastrados no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab).

ARTICULAÇÃO TERRITORIAL

Além dos artesãos, o programa também abre espaço a outros atores da cadeia produtiva do artesanato e da economia criativa. Após os seminários  de abertura, os participantes serão convidados a integrar rodas de conversa para fortalecer a articulação entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil. A proposta é contribuir para a consolidação de uma governança estadual do artesanato, alinhada ao PAPE – Programa do Artesanato de Pernambuco, ampliando o impacto das ações, fortalecendo a geração de renda e contribuindo para a valorização do artesanato pernambucano em todo o estado.

Publicidade