Crises epilépticas ainda são cercadas por mitos e erros de conduta, alertam especialistas

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No Dia Roxo, neurologista chama atenção para desinformação que pode agravar quadros e reforça que a maioria dos pacientes pode levar vida normal com tratamento

Apesar de afetar milhões de pessoas, a epilepsia ainda é uma das condições neurológicas mais cercadas por desinformação, inclusive em situações críticas. No dia 26 de março, quando é celebrado o Dia Roxo, data dedicada à conscientização sobre a condição em todo o mundo, especialistas chamam atenção para um problema silencioso. A forma inadequada como a população reage diante de uma crise epiléptica pode aumentar riscos e agravar o quadro do paciente.

De acordo com a neurologista Dra. Moema Peisino, do Real Hospital Português, atitudes ainda comuns, como tentar conter os movimentos da pessoa ou introduzir objetos na boca, são equivocadas e potencialmente perigosas. “Existem ainda muitas dúvidas do que se fazer durante uma crise. E deveríamos ter este conhecimento. O mais importante é proteger o paciente e aguardar o término do episódio com segurança”, explica.

Segundo a especialista, a falta de informação transforma um evento que, na maioria das vezes, é autolimitado, em uma situação de maior risco. “Ao tentar segurar a pessoa, por exemplo, pode-se causar lesões musculares ou articulares. Já colocar objetos na boca pode provocar engasgo ou fraturas dentárias”, afirma.

Outro ponto destacado pela neurologista é que o estigma em torno da doença ainda impacta diretamente o diagnóstico e o tratamento. “Muitas pessoas demoram a procurar ajuda por medo ou desconhecimento. Hoje, sabemos que até 70% dos pacientes podem ter as crises totalmente controladas com medicação e acompanhamento adequado”, diz.

Além da conduta durante as crises, a especialista reforça a importância de ampliar o debate público. “Campanhas como o Março Roxo são fundamentais não apenas para informar, mas para normalizar a condição. Epilepsia não define a capacidade de uma pessoa”, pontua.

A orientação, segundo a médica, é simples e pode fazer toda a diferença. Manter a calma, afastar objetos que possam causar lesões, proteger a cabeça do paciente e posicioná-lo de lado após a crise são medidas seguras e eficazes até a chegada de atendimento, quando necessário.

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