
Com lançamento em 27 de outubro, Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, o sétimo episódio do programa discute como o racismo e o capacitismo aprofundam desigualdades educacionais e reforça a importância de uma EJA inclusiva, antirracista e comprometida com os direitos humanos
O racismo e o capacitismo ainda representam barreiras para milhões de brasileiros que buscam na educação uma oportunidade de transformar suas vidas. Dados do IBGE revelam que a taxa de analfabetismo entre pessoas pretas e pardas é mais que o dobro daquela registrada entre pessoas brancas. Entre as pessoas com deficiência, o cenário também é preocupante: segundo o Censo Demográfico de 2022, o analfabetismo atinge quase 20% dessa população, percentual muito superior ao observado entre pessoas sem deficiência. É diante dessa realidade que o podcast ALFA-EJA Transforma Brasil, iniciativa do Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire, em parceria com a Petrobras, no contexto do Projeto ALFA-EJA Brasil, lança seu sétimo episódio, intitulado “Antirracismo e Anticapacitismo: superando preconceitos e discriminação na EJA”.
O programa estreia no dia 27 de outubro, data em que é celebrado o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, reforçando a importância do enfrentamento às desigualdades raciais e da promoção de direitos fundamentais, entre eles o acesso à educação. O episódio está disponível no canal oficial do Instituto Paulo Freire no YouTube e no Spotify do Projeto ALFA-EJA Brasil, ampliando o alcance de reflexões sobre os desafios enfrentados por pessoas negras e com deficiência na Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA).
Apresentado por Sônia Couto, coordenadora do Centro de Referência Paulo Freire do Instituto Paulo Freire e educadora formadora do Projeto ALFA-EJA Brasil, o episódio reúne duas especialistas que dedicam suas trajetórias à defesa dos direitos humanos e de uma educação comprometida com a diversidade: Francisca Pini, professora, escritora e doutora em Serviço Social e Políticas Sociais, e Mariana Rosa, educadora inclusiva e anticapacitista e doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).
Ao longo da conversa, as participantes discutem o significado do racismo e do capacitismo, suas manifestações na sociedade brasileira e, especialmente, os mecanismos pelos quais essas formas de discriminação continuam produzindo exclusão dentro dos espaços educacionais.
O debate também propõe uma reflexão sobre a necessidade de reconhecer e enfrentar as barreiras institucionais, sociais e pedagógicas que dificultam o acesso, a permanência e a aprendizagem de estudantes da EJA.
Quando a escola também exclui: o desafio de romper com a dupla expulsão escolar.
Um dos pontos centrais do episódio parte de uma reflexão inspirada no pensamento do educador Paulo Freire, que denunciava as condições sociais e educacionais responsáveis por afastar crianças e adolescentes da escola. Nessa perspectiva, muitas dessas pessoas não abandonam voluntariamente os estudos, mas acabam sendo expulsas do ambiente escolar por estruturas que reproduzem desigualdades e negam oportunidades.
Na Educação de Jovens, Adultos e Idosos, essa realidade pode assumir contornos ainda mais profundos. Pessoas que tiveram seu direito à educação interrompido durante a infância ou adolescência e decidem retornar à escola podem encontrar novamente obstáculos que comprometem suas trajetórias educacionais. Trata-se de uma espécie de dupla expulsão escolar, marcada pela persistência de práticas discriminatórias, preconceitos e barreiras institucionais, inclusive de caráter racista e capacitista.
A discussão ganha relevância diante das desigualdades históricas que atravessam a sociedade brasileira. Se, por um lado, a população negra enfrenta os efeitos de um racismo estrutural que restringe oportunidades e aprofunda desigualdades, por outro, pessoas com deficiência ainda convivem com obstáculos de acessibilidade, atitudes discriminatórias e práticas educacionais que nem sempre reconhecem suas necessidades e potencialidades.
Nesse contexto, o episódio chama a atenção para a importância de compreender que garantir o acesso à escola não é suficiente quando as condições de permanência, participação e aprendizagem continuam marcadas pela exclusão. É necessário construir práticas pedagógicas que reconheçam as diferenças, valorizem as experiências de vida dos educandos e enfrentem todas as formas de discriminação.
A partir das contribuições de Francisca Pini e Mariana Rosa, o programa convida educadores, gestores públicos, estudantes e toda a sociedade a refletirem sobre o papel da educação na desconstrução de preconceitos e na construção de ambientes verdadeiramente inclusivos, democráticos e acolhedores.
Inspirado no legado de Paulo Freire, o debate reforça que uma educação emancipadora precisa estar comprometida com a transformação das estruturas que produzem desigualdades. Isso significa reconhecer que o combate ao racismo e ao capacitismo não pode ser tratado como uma questão secundária, mas como parte fundamental da garantia do direito humano à educação.
*Lançamento no Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra*
A escolha do dia 27 de outubro para o lançamento do episódio estabelece uma conexão entre educação, saúde, equidade racial e direitos humanos. Celebrado nessa data, o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra chama a atenção para a necessidade de enfrentar desigualdades históricas que afetam as condições de vida da população negra brasileira.
Ao trazer o antirracismo e o anticapacitismo para o centro do debate, o podcast ALFA-EJA Transforma Brasil amplia essa reflexão e destaca a educação como um dos caminhos fundamentais para romper ciclos de exclusão e fortalecer o exercício da cidadania.
O episódio também evidencia a importância de políticas públicas educacionais capazes de reconhecer as múltiplas realidades dos estudantes da EJA, considerando suas trajetórias, identidades, condições sociais e diferentes formas de aprender.
Mais do que identificar preconceitos, a proposta é estimular uma reflexão coletiva sobre como superá-los, fortalecendo uma educação que acolha as diferenças, respeite a dignidade humana e assegure que ninguém seja deixado para trás.
Um podcast que reúne reflexões sobre educação, direitos humanos e transformação social
O podcast ALFA-EJA Transforma Brasil integra as ações de comunicação e formação do Projeto ALFA-EJA Brasil e tem como proposta ampliar o debate público sobre os desafios e as potencialidades da Educação de Jovens, Adultos e Idosos.
Ao longo dos episódios, o programa vem reunindo educadores, pesquisadores e especialistas para abordar temas fundamentais, como a práxis de Paulo Freire, a relação entre educação e mundo do trabalho, a valorização da cultura e da arte popular, a EJA como direito humano, a memória das lutas pela educação e as relações entre culturas, territórios e vida em plenitude. Para conferir os episódios basta acessar https://www.youtube.com/@alfaejabrasil/podcasts
Spotify: https://open.spotify.com/show/197v7vTM94ekTS0p9b9jbo
Serviço
Lançamento episódio 7 do podcast ALFA-EJA Transforma Brasil:
Antirracismo e Anticapacitismo: superando preconceitos e discriminação na EJA
27 de outubro no Youtube e no Spotify do Instituto Paulo Freire
Youtube: https://www.youtube.com/@alfaejabrasil/podcasts
Spotify: https://open.spotify.com/show/197v7vTM94ekTS0p9b9jbo
Sobre o Projeto ALFA-EJA Brasil
Realizado pelo Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o ALFA-EJA Brasil tem como missão promover formações, assessoria pedagógica, oficinas, encontros e ações culturais com foco no fortalecimento da EJA como política pública essencial. A iniciativa busca garantir o direito à educação para pessoas jovens, adultas e idosas e contribuir no combate ao analfabetismo no país.
Ao longo dos próximos anos, até final de 2027, o projeto desenvolverá uma série de ações em 15 municípios de forma presencial e a distância, e em 62 municípios de forma online. As principais iniciativas envolvem formações e assessorias pedagógicas para educadores e gestores da EJA, oficinas de leitura e escrita para educandos, o curso online “Como Alfabetizar com Paulo Freire”, a produção e distribuição de materiais pedagógicos (como cadernos, vídeos e podcasts), encontros comunitários, lives formativas e a criação do Centro de Referência da EJA (CREJA), voltado à memória, formação e articulação local.
Leitura do Mundo: uma análise sobre cada território
A primeira fase do projeto, chamada Leitura do Mundo, foi realizada pela equipe pedagógica do Instituto Paulo Freire, ao longo do mês de abril de 2025, nos 15 municípios que são atendidos de forma presencial e a distância. A etapa envolveu visitas, escutas e diálogos com educadores, gestores, movimentos sociais e comunidades locais, com o objetivo de compreender as realidades e desafios de cada território.












