
Programação conta com a exibição inédita do filme “Filhas da Noite”, sobre as histórias de seis artistas da cena noturna Queer do Recife nos anos 80 e 90
Em mais um fim de semana ordinário, logo ali na Aurora, protagonista da vida de tantos poetas e de todo recifense, os letreiros do Cinema São Luiz convidam os passantes a aguçar o olhar crítico e sensível através da sétima arte. Quem espertamente notar o chamado, a partir do alumiar dos jarros de flores desenhados nos mais charmosos vitrais da cidade, embarcará numa programação democrática que se propõe a refletir e a acolher os mais diversos contextos socioculturais que existem e resistem. A curadoria do programador Pedro Severien terá de tudo um pouco, incluindo mostra gratuita de cinema acessível, pré-estreia pernambucana de longa-metragem, mostra de curtas também da terrinha e com acesso livre, animação para a criançada e muito mais, além de sessões-debate com realizadoras do audiovisual pernambucano e nacional.
No sábado (24), às 14h, a grade cinematográfica tem início com a mostra “VerOuvindo Circula”, que promove acessibilidade no cinema disponibilizando audiodescrição, Libras e legendas descritivas. A primeira exibição do dia será do documentário “Wadja”, dirigido por Narriman Kauane e produzido por Tayho. A obra homenageia a educadora indígena Marilena Araújo (Wadja), uma das responsáveis pela criação da Escola Bilíngue Antônio José Moreira e defensora da língua Yaathe, do povo Fulni-ô. A sessão contará com a presença da comunidade surda e indígena, promovendo um encontro simbólico de culturas e lutas por reconhecimento linguístico. Haverá debate com a equipe do VerOuvindo e convidados.
A ideia do documentário nasceu da própria Wadja. Foi ela quem procurou Tayho para propor um filme biográfico, centrado em sua vida, seus documentos e sua atuação como educadora. Durante cerca de um ano, produtor e personagem trocaram ideias, enquanto o roteiro era gestado e a proposta era submetida a editais públicos. Mas, antes que os recursos fossem liberados, Wadja faleceu. “Tivemos que mudar todo o plano de filmagem”, relembra Tayho, que enfrentou o luto enquanto reconstruía o caminho narrativo da obra. O resultado foi uma combinação sensível entre material de arquivo, entrevistas e memória viva. Outro destaque da programação acessível é o documentário “Quem me quer?”, do diretor Tiago Pinheiro, que celebra a memória afetiva do Cinema São Luiz.
Após a mostra com acessibilidade, às 16h, o público terá mais uma oportunidade de assistir ao documentário “O Bem Virá”, da diretora Uilma Queiroz, que continua em cartaz e teve sua estreia no circuito de salas na semana passada. Em seguida, às 18h do sábado, será o aguardado momento da pré-estreia pernambucana do longa-metragem “Filhas da Noite”, com direção assinada por Henrique Arruda e Sylara Silvério e vencedor do Troféu Candango na Mostra Caleidoscópio do Festival de Brasília. O filme mistura documentário e ficção para contar as histórias de seis artistas da cena noturna Queer do Recife nos anos 80 e 90. Após a sessão, haverá bate-papo com as protagonistas e diretores do longa.
A manhã do domingo (25), é reservada para os pequenos, com a “Sessão para a Criança”, a partir das 11h. Na telona, a segunda parte da série “Foi Assim, Foi Assado”, dirigida por Chia Beloto e que está sendo exibida pela primeira vez no cinema. Serão exibidos seis episódios, cada um com sete minutos, que contam a história da Teresa, uma menina super curiosa, que vive com sua avó, uma inventora cheia de ideias. Juntas, elas embarcam em aventuras incríveis que atravessam o tempo, revivendo descobertas e momentos marcantes da história da humanidade.
Às 14h, a programação é retomada com a mostra de filmes “Entresonhos – Delirantes Mundos e Outros Universos em 10 Anos de Filmes de Marte”, celebrando a trajetória da produtora pernambucana independente Filmes de Marte, criada em 2015. Será exibida uma retrospectiva com todos os curtas da produtora entre 2015 e 2025. As obras abordam temas como envelhecimento do corpo Queer, a investigação do gênero fantástico e a arte Drag Queen, acumulando mais de 80 prêmios e exibições em mais de 150 eventos internacionais. A sessão será gratuita e incluirá uma conversa entre o público, Henrique Arruda e Sylara Silvério.
Fechando a programação deste fim de semana, às 17h do domingo, haverá uma sessão-debate do filme “Praia Formosa”, com a presença da diretora Julia de Simone. O drama mergulha em uma narrativa que entrelaça passado e presente para abordar memórias históricas e afetivas no território do Rio de Janeiro. O longa conta a história de Muanza, uma mulher do Reino do Congo traficada para o Brasil no século XIX, que desperta nos dias de hoje em uma cidade onde os tempos se sobrepõem. Em sua busca por pertencimento, a protagonista percorre espaços urbanos que testemunham resistência, deslocamento e laços de irmandade. “Praia Formosa” é o primeiro longa de ficção de Julia de Simone, diretora carioca com sólida trajetória em documentários e cinema experimental. O filme teve estreia internacional no Festival de Rotterdam (Tiger Competition) e é uma coprodução Brasil-Portugal, com apoio do Hubert Bals Fund e do World Cinema Fund.
Mais informações podem ser encontradas através da página oficial do Cinema São Luiz no Instagram














