
A recente declaração de que “se nada der certo, a gente vira ministro da eucaristia” expõe algo preocupante do nosso tempo: a crescente naturalização da irreverência diante do sagrado.
Para a fé católica, o ministério extraordinário da Sagrada Comunhão não é ocupação secundária, improviso social ou recurso humorístico. Trata-se de uma missão confiada a homens e mulheres que assumem, diante da Igreja, um compromisso de serviço, zelo litúrgico e profunda reverência à presença real de Cristo na Eucaristia.
É justamente por isso que a frase causa desconforto entre nós católicos, e particularmente fiquei estarrecido. Porque aquilo que toca o altar não pode ser tratado com superficialidade. O que para alguns pode parecer apenas uma “brincadeira” revela, para nós fiéis, uma preocupante falta de sensibilidade com aquilo que a Igreja considera santo, e é santo, pois a Eucaristia, é a presença do Cristo entre nós.
A Eucaristia não é metáfora política. Não é instrumento retórico. Não é plano alternativo de carreira. É o coração da vida católica, é o próprio Cristo.
Quando lideranças públicas recorrem ao humor envolvendo símbolos religiosos, especialmente os mais centrais da tradição cristã, assumem também a responsabilidade pelas reações que provocam. Não se exige submissão religiosa de agentes políticos, mas algo elementar numa sociedade plural: respeito pela fé de milhões de brasileiros.
O ex-prefeito João Campos certamente não conhece a força do sentimento religioso no Nordeste e no Brasil. Por isso, palavras importam. E importam ainda mais quando partem de quem exerce influência pública.
Abrir a boca para dizer que: “eu sou católico” ou participar de grandes celebrações a exemplo da Festa da Divina Misericórdia em Arcoverde ou no show do Frei Gilson, não significa ser católico, pois ser discípulo de Cristo se exige muito mais, principalmente amor a Eucaristia.
O católico não se escandaliza por fragilidade. Escandaliza-se porque reconhece que há coisas que pertencem ao campo do sagrado e o sagrado merece reverência, não banalização.
Numa época em que tantos valores são relativizados, defender o respeito à Eucaristia não é exagero. É coerência com a própria fé, coerência com a minha fé, e principalmente com meu Senhor e meu Deus.
Oscar Mariano
Católico Apostólico Romano e praticante













