
A proposta é mostrar como empresas de menor porte podem incorporar responsabilidade ambiental, cuidado com as pessoas e organização da gestão, mesmo com orçamento limitado.
– Sebrae/PE: apresenta o cenário pernambucano, as principais dificuldades dos empreendedores, os primeiros passos e o apoio disponível.
– Dalvani Oliveira, da Keyppy: conta o que mudou na operação, quanto foi necessário investir, as dificuldades enfrentadas e os resultados percebidos, com exemplos que possam ser mostrados pela reportagem.
O dado nacional de que 93% consideram o tema importante, enquanto 27% apontam falta de informação como dificuldade, ajuda a sustentar essa abordagem.
Pequenos negócios encontram no ESG caminhos para reduzir desperdícios e ampliar mercados
_Pesquisa aponta que 93% dos empreendedores brasileiros valorizam a sustentabilidade; em Pernambuco, Keyppy exemplifica a aplicação de práticas ambientais, sociais e de governança_
Controlar o consumo de água, cuidar dos funcionários e estabelecer critérios para a contratação de fornecedores são decisões que também fazem parte da sustentabilidade empresarial. Entre os pequenos negócios brasileiros, essa agenda tem relevância: pesquisa do Sebrae, divulgada em outubro de 2025, mostra que 93% dos empreendedores consideram importantes ou muito importantes as práticas de sustentabilidade socioambiental. Outros 83% entendem que essas iniciativas devem fazer parte também da realidade das empresas de menor porte.
Em Pernambuco, a importância de incorporar essas práticas à gestão acompanha o peso econômico do segmento. Segundo levantamento do Sebrae/PE com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), as micro e pequenas empresas registraram saldo positivo de 52.538 empregos em 2025. Elas responderam por 76,2% do saldo de vagas geradas por empresas no estado naquele ano.
A sigla ESG reúne três dimensões: ambiental, social e de governança. Na rotina de um pequeno empreendimento, isso pode envolver reduzir desperdícios, dar destinação adequada aos resíduos, promover segurança e capacitação das equipes e organizar processos de gestão. Além de contribuir para enfrentar impactos sociais e ambientais, essas medidas podem melhorar o controle de custos, reduzir riscos e ajudar a empresa a atender exigências de clientes e parceiros.
Apesar do interesse, transformar intenção em prática ainda apresenta obstáculos. Na pesquisa nacional do Sebrae, que ouviu 6.266 donos de pequenos negócios entre agosto e setembro de 2025, a falta de informação apareceu como dificuldade para 27% dos entrevistados — incluindo quem afirmou não saber por onde começar. A falta de recursos financeiros foi apontada por 21%.
Exemplo pernambucano
No setor de controle de pragas, a pernambucana Keyppy exemplifica como os três pilares podem ser incorporados à operação. A empresa implantou um sistema de captação de água da chuva, criou um canal de ouvidoria, passou a oferecer seguro de vida com assistência psicológica aos colaboradores e adotou um código de ética para fornecedores, além de fortalecer a capacitação profissional. As iniciativas integram a trajetória que levou à conquista do Selo ESG Sebrae na categoria Diamante.
Segundo a fundadora da Keyppy, Dalvani Oliveira, a participação na jornada do Sebrae ajudou a identificar e organizar ações que já faziam parte da empresa. A empresária falou que o reconhecimento fortaleceu a credibilidade do negócio e contribuiu para a chegada de clientes maiores, conectando as práticas ESG a oportunidades comerciais.
Para quem pretende começar, o caminho passa por conhecer os impactos da própria atividade e definir prioridades compatíveis com a operação. Acompanhar o consumo de recursos, ouvir os trabalhadores, registrar procedimentos e estabelecer metas permite transformar ações isoladas em uma rotina de gestão, com resultados que possam ser acompanhados ao longo do tempo.











