
Histórias inspiradoras que revelam a força dos alunos pernambucanos e inspiram outros jovens a seguirem em busca de seus objetivos

Neste Dia do Estudante (11), a Rede Estadual de Pernambuco celebra histórias de estudantes que encontram na educação o caminho para transformar sonhos em realidade. São trajetórias marcadas por superação, perseverança e protagonismo, que mostram a força dos estudantes pernambucanos e inspiram muitas pessoas a seguirem em busca dos seus objetivos.
Aos 59 anos, José Cláudio da Silva decidiu que era hora de realizar um sonho que havia ficado pelo caminho. Depois de quase 30 anos longe da escola, ele voltou a estudar e hoje está no terceiro módulo da Educação de Jovens e Adultos (EJA), na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Clotilde de Oliveira, no Recife, com a expectativa de concluir o ensino médio ainda este ano.
Entre idas e vindas e muitas dificuldades encontradas ao longo da sua trajetória, José Cláudio só conseguiu chegar ao ensino médio aos 30 anos. Mas, nessa época, ainda quando cursava o 1º ano, precisou parar de estudar novamente, por problemas familiares. O tempo passou, os filhos cresceram e chegaram à faculdade, mas ficou a sensação de que ainda faltava algo em sua própria trajetória. “Eu vi que faltava alguma coisa para complementar a minha vida. Acredito que nunca é tarde para recomeçar. Eu proporcionei aos meus filhos aquilo que não tive. Agora, é o momento de proporcionar isso a mim mesmo”, contou.
A decisão de voltar para a escola veio acompanhada de novos planos. No fim deste ano, José Cláudio pretende fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e já sabe qual será o próximo passo: ingressar no curso de engenharia civil, um sonho antigo que agora começa a enxergar como possível. “Sempre quis fazer engenharia civil e agora estou enxergando a oportunidade de realizar esse sonho. A educação é o caminho certo e a base principal para a mudança na nossa vida”, afirmou.
Já Arlena de Souza, aos 72 anos, está no segundo módulo da EJA, também na Erem Clotilde de Oliveira, e prova, todos os dias, que não existe idade para aprender, recomeçar e realizar novos sonhos.
Ela deixou a escola aos 19 anos para trabalhar e cuidar do filho recém-nascido. Naquele momento, conciliar os estudos com as responsabilidades de casa e da família parecia impossível. “Infelizmente, eu tive que parar meus estudos para cuidar do meu filho que tinha acabado de nascer. Eu não tinha como conciliar a casa com os estudos. Hoje, meu filho já está formado e trabalhando e eu tive condições de voltar a estudar”, contou.
Mais de cinco décadas depois, Arlena retornou à sala de aula aos 71 anos. Retomou os estudos e, desde então, tem se dedicado a aprender cada vez mais. Embora soubesse ler e escrever, ela percebeu que precisava aprimorar a interpretação de textos, principalmente para aproveitar melhor um dos seus grandes prazeres: a leitura. “Eu sempre soube ler e escrever, mas encontrava dificuldade em interpretar textos quando começava a ler um livro. Era uma necessidade muito grande”, explicou.
Mas a busca pelo conhecimento vai muito além dos livros. Para Arlena, estudar também significa conquistar autonomia em uma sociedade cada vez mais conectada à tecnologia. “Hoje em dia, você é dependente de tudo na internet. É necessário saber mexer, chamar um carro, sacar dinheiro ou fazer um Pix. Por isso, você tem que ter o conhecimento”, afirmou.
A experiência fez Arlena compreender ainda mais a importância da educação para a vida. Por isso, ela defende que todos tenham a oportunidade de voltar à escola. “Você tem que voltar a estudar, sim. Muitas pessoas não estão percebendo que estudar é o alicerce para o ser humano viver melhor. Sem o estudo, você não chega a lugar nenhum. Para um emprego, para uma entrevista, para tudo tem que ter estudo”, ponderou.
E os planos de Arlena não terminam com a conclusão da EJA. Depois de reencontrar na escola uma oportunidade de aprender, ela já pensa em dar um novo passo: cursar pedagogia e se tornar professora. “Eu tenho vontade de ser professora. Acho uma profissão muito linda, porque só chega a ser advogado se você estudar, só chega a ser médico se você estudar. Ninguém realiza seus sonhos sem ser através dos estudos’, concluiu.
Protagonismo estudantil
As histórias dos estudantes da Rede Estadual de Pernambuco vão muito além da EJA. Aos 17 anos, Lucas Ricardo, estudante do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Alzira da Fonseca Breuel, em Jaboatão dos Guararapes, encontrou na escola um espaço para desenvolver novas habilidades, fortalecer sua relação com os estudos e assumir um papel de protagonismo entre os colegas.
Na unidade de ensino, Lucas atua como monitor de matemática, participando das atividades e auxiliando outros estudantes. A seleção para a monitoria representou uma mudança importante em sua relação com a escola. Depois de assumir a função, passou a ser mais participativo, a se envolver nas ações da unidade e também a melhorar seu desempenho acadêmico.
“Sempre quis ser monitor e sempre gostei de estudar. Minhas notas melhoraram depois que virei monitor. Isso também me ajudou na comunicação com os outros estudantes. Quem me vê na internet não imagina que sou tímido”, destacou.
Fora da escola, Lucas também compartilha sua rotina nas redes sociais e já reúne mais de 106 mil seguidores no Instagram. Entre os conteúdos publicados, estão registros do dia a dia, inclusive do trajeto de casa até a escola. Um vlog mostrando sua rotina escolar alcançou cerca de 300 mil visualizações.
Com um público formado principalmente por jovens de 13 a 24 anos, Lucas acredita que sua experiência pode servir de inspiração para outros estudantes. Para ele, mostrar sua rotina também é uma forma de incentivar os jovens a valorizarem os estudos e a perseguirem seus objetivos. “Sem estudo não dá para alcançar os seus sonhos. A escola é a base de tudo. A internet tem seus pontos bons e ruins. Mas é através dos estudos que você consegue realizar seus sonhos”, salientou.
A rotina do estudante é intensa. Além de se dedicar à escola e à monitoria, Lucas concilia os estudos com a produção de conteúdo para as redes sociais e a administração da sua lanchonete.
Este ano, o jovem conclui o ensino médio e se prepara para fazer o Enem. Para o futuro, pretende cursar direito ou administração, sem deixar de lado a carreira de digital influencer. “Eu me esforço muito para alcançar meus objetivos. Quero continuar na internet, mas também quero ter uma formação”, afirmou.












