No Dia do Psicólogo, conheça a rotina de uma psicóloga escolar da rede pública de ensino de Pernambuco

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Psicóloga da rede estadual de ensino de Pernambuco, Lany Pereira Gonçalves destaca ações que têm ajudado a promover relações saudáveis e prevenir a violência nas escolas

“Meu trabalho vai muito além do atendimento individual: ele está inserido no processo educativo, lado a lado com a gestão, os professores e toda a equipe escolar”, conta a psicóloga psicossocial Lany Pereira Gonçalves. Ela atua na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Odete Antunes, no bairro de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes, uma das mais de mil unidades da rede estadual de ensino contempladas com ações de atenção psicossocial. Para além do Dia do Psicólogo, celebrado nesta quinta-feira, 27 de agosto, o trabalho de Lany ganha contornos novos todos os dias.

No ambiente escolar, o aprendizado vai além do trabalho dos professores: a convivência com os colegas também é peça chave para o desenvolvimento do estudante. A Erem Odete Antunes é apenas uma das unidades de ensino que entenderam o poder dessa combinação a partir do trabalho dos psicólogos educacionais. A escola vem promovendo, no dia a dia, o fortalecimento de relações saudáveis, a autoconsciência dos estudantes e a prevenção de situações de violência no ambiente escolar, por meio de ações dentro do Projeto Entrelaços, executado pela Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE).

Professora há 18 anos, Lany decidiu migrar para a área da saúde há alguns anos e, há pouco mais de um, é psicóloga na rede pública de ensino de Pernambuco. Para ela, o chamado veio a partir de uma inquietação. “Fui estudar psicologia para entender por que eu não conseguia alcançar todos os meus alunos, mesmo com uma didática diferenciada, com aulas lúdicas. Foi quando entendi que os fatores emocionais interferem significativamente na aprendizagem”, relata.

No início de cada ano letivo, mais de 900 profissionais de psicologia distribuídos por Pernambuco organizam agendas de trabalho que reúnem as ações do Entrelaços e as demandas que surgem da realidade de cada escola. Como psicóloga escolar, ela conta que participa de reuniões pedagógicas, conselhos de classe, além de desenvolver oficinas, rodas de conversa e ações socioeducativas voltadas às necessidades identificadas na rotina da escola.

Nesta semana, a agenda de Lany está cheia de atividades na Erem Odete Antunes. Além das escutas individualizadas, ela coordenou nesta quarta-feira (26) uma roda de conversa sobre maternidade na adolescência, realidade enfrentada por algumas estudantes; a intenção é orientá-las para o cuidado. Já na quinta-feira (27), uma outra ação na escola busca fazer os estudantes perceberem o que acontece dentro de si e aprenderem a agir sobre isso.

“Se percebemos dificuldades na comunicação entre estudantes e funcionários, promovemos atividades sobre comunicação não-violenta. Quando identificamos adolescentes grávidas, realizamos momentos de acolhimento e orientação sobre saúde sexual e reprodutiva”, explica a psicóloga.

As ações de prevenção do bullying e do cyberbullying são uma constante no Projeto Entrelaços. Exemplo disso é a história de um estudante do 2º ano do ensino médio acompanhado por Lany, que reforça ainda mais o alcance do trabalho do psicólogo escolar. Segundo ela, mesmo com facilidade de criar vínculos, algumas brincadeiras que o jovem de 17 anos tinha com os amigos ultrapassavam os limites da convivência saudável.

“Para eles, determinadas atitudes eram compreendidas como brincadeiras comuns entre amigos, sem a percepção de que poderiam provocar constrangimento, sofrimento, humilhação, ou até mesmo reproduzir uma forma de violência”, conta a psicóloga psicossocial.

A intervenção não apenas buscou corrigir esse comportamento, mas também mudar a compreensão de todos os estudantes sobre respeito, limites e responsabilidade. O atendimento psicológico individualizado em um serviço de saúde fora da escola também provou a importância do trabalho coletivo. E a melhora foi percebida em sala de aula.

Antes, o adolescente sentava-se no fundo da sala de aula e conversava em momentos inadequados. Hoje, além da melhora da relação com os amigos, participa ativamente das aulas e tem um melhor rendimento escolar. “O que mais me marcou foi perceber que, através da escuta que eu fazia com ele, do diálogo e do acompanhamento, ele passou a refletir sobre as suas próprias atitudes e a compreender que todas as suas ações tinham impacto sobre as outras pessoas. Então esse processo demonstra o poder da psicologia no ambiente escolar”, celebra.

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