
Por Mateus Carvalho
Há exatamente um ano, Caruaru assistiu a um espetáculo político digno de nota, uma vitória em primeiro turno, contra dois grupos rivais. Num sábado nublado, quando o vento parecia anunciar tempestade, dois grupos historicamente opostos decidiram unir-se em nome de um propósito que nunca existiu: vencer por conveniência o que não se conquistou por coerência. E como toda união feita às pressas, o resultado foi previsível, um casamento sem amor, celebrado sob o altar da conveniência e desfeito pelo voto popular antes mesmo da lua de mel.
Não foi a primeira vez que a política tentou misturar água e óleo, mas talvez tenha sido uma das mais desastradas. A “junção” que se vendeu como gesto de grandeza nasceu, na verdade, da escassez. Escassez de diálogo, de projeto e, sobretudo, de vergonha. Juntaram-se rivais que por anos trocaram farpas, dividiram palanques opostos, e agora, sob o pretexto de “renovação”, vestiram a mesma camisa suada, ainda manchada pelos embates do passado.
O povo, esse velho sábio tantas vezes subestimado, olhou, desconfiou e entendeu. Porque o eleitor pode até perdoar o erro, mas não tolera a encenação. E quando percebe que a união é feita mais de medo do que de proposta, mais de vaidade do que de visão, ele se cala nas ruas, ou melhor, fala nas urnas. Falou alto. E o grito das urnas sepultou, de uma vez por todas, a “junção do desespero”.
O episódio de um ano atrás poderia entrar para os livros de política como exemplo de pragmatismo, não fosse o fato de ter escorregado na fronteira entre o realismo e o ridículo. Foi uma colcha de retalhos costurada às pressas, com linhas frouxas e agulhas cegas. Uma aliança que, como bolo mal batido, não cresceu, desandou e azedou.
E como toda farsa precisa de um epílogo, ele veio rápido. Um saiu de cena e virou influenciador digital de si mesmo, tentando dar “like” em uma relevância que o tempo apagou. O outro seguiu o roteiro clássico dos derrotados: o silêncio conveniente e a abstração política. O palco ficou, o povo ficou, mas a credibilidade, essa, foi embora pela porta dos fundos.
Caruaru, que já viu tantos capítulos dignos de sua importância histórica, agora carrega em sua memória recente essa parábola moderna sobre o poder e o desespero. Porque quando a política esquece o povo e passa a existir apenas para si mesma, o destino é sempre o mesmo: o naufrágio moral antes da derrota eleitoral.
E se há algo que essa cidade aprendeu, é que junção feita às pressas não é união é sobrevivência. E sobrevivência política, quando não vem acompanhada de propósito, tem prazo de validade curto.












